LA RONDE

(2018)

A Cia. Enviezada leva aos palcos a adaptação da obra La Ronde, originalmente
intitulada Reigen, pelo austríaco Arthur Schinitzler. A peça desenvolve de forma leve e
divertida uma espiral de diálogos, intrigas e surpresas, sempre antes e depois de uma
conquista sexual. A cada cena, são explorados temas como o desejo e a ética. O
purismo é defendido por palavras, mas nunca praticado pelos personagens que pouco
se conhecem e são apresentados como arquétipos de sua função social: Uma
Prostituta (que se envolve com um soldado e um marido), um Soldado (que se envolve
com uma prostituta e uma empregada), um Rapaz (que se envolve com uma esposa e
uma empregada), uma Empregada (que se envolve com um soldado e um rapaz), uma
Esposa (que se envolve com o marido e o rapaz), um Marido (que se envolve com a
esposa e a prostituta). A encenação é atemporal e questiona as formas e preceitos da
relação homem x mulher, subversivo x submisso em um instigante jogo de conquista,
atração e repulsa na qual o amante da primeira tem, no próximo diálogo, uma relação
com uma segunda mulher, que terá relações com outro homem no próximo quadro, e
assim sucessivamente até retornar à primeira personagem, fechando um círculo, uma
ciranda. A discrepância entre a moral expressa nos diálogos e a ação das
personagens cria uma tensão evidentemente irônica. A constante contradição das
personagens que, em seus discursos, garantem fidelidade, paixão e pureza, ao
mesmo tempo em que se entregam facilmente para estranhos e abandonam qualquer
interesse minutos depois cria comicidade e identificação com gerações de diferentes

idades.

      (La Ronde)

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